terça-feira, 7 de abril de 2009

Desabafos e bafos.

Já passa da meia-noite. O dia 8 chegou, a quarta-feira começou. Já nem lembro a última vez que pisei realmente por aqui. Bom, olhando ali embaixo... mais de 5 meses. E só agora to aqui. Por que decidi voltar? Boa pergunta. To fazendo ela neste exato momento. Esse é um blog principalmente para os meus devaneios e desabafos, certo? Eu to tentando. Alias, acho que to ''acordando''. Acordei de dias, semanas... com a sensação de inutilidade, de vazio extremo. Mas não o vazio habitual, falo do xulo e sem graça, o que mais me machuca. Aquele em que eu simplesmente... nem sinto. Porque não me importo com ele. Como eu discursei há alguns minutos atrás... acho que precisava descansar um pouco... descansar de pensar (coisa que dificilmente consigo). Eu tinha corrido demais... tinha perdido o fôlego... mas preciso respirar ofegante de novo. EU PRECISO. Eu quero, ouviu Morn? Sim, é com vc mesmo que to falando, seu idiota. Não posso deixar de te citar hoje. Vc, sem sombra de dúvidas, foi a pessoa mais importante do meu dia. Me irritou, me causou raiva, agonia, nojo. Mas foi o único q me bateu e eu entendi que foi pq queria me dar a mão depois, ainda que da sua forma desajeitada de sempre. Acho que vc ficou com medo. Medo de me ver ali, na situação que te consumia poucos tempos atrás. E vc se importa, mesmo fingindo q não. Vc se importa cmg, e me ama. E eu te amo e odeio ainda mais por isso, preciso assumir. E to cansada, Morn. Não to mentindo. Não olhe pra mim dizendo ''vc não reage mais, quero ver a minha admirável amiga q socou-me a cara semanas atrás, pedindo para eu acordar pra vida.'' Eu sei que isso marcou. Que vc conheceu parte de mim que te assustou, mas de uma forma boa, eu acho. E eu preciso dessa Laisa tb. Eu quero ela. Eu quero correr contra a tempestade de novo, quero chorar de verdade, e não apenas por lágrimas saídas após um filme dramático. Eu quero o MEU filme. Lembra oq eu gritava cuspindo pra vc? ''Não seja coadjuvante na sua vida, msm q ela seja dura e te quebre, seja o protagonista e agarrre ela''. Tá, eu parei no caminho pra sentar na pedra fria e escura? Quis dormir um pouco até uma manada de elefantes passar correndo e me acordar? Acho que eu queria isso. Eu não me prendi à melancolia, pq ela nem ao menos consegue aparecer. Nem ela, que eu gosto tanto. Mas vc tem razão qt ao sugamento. Sugada por todos os lados ou por mim mesma? Tudo parece tão pesado. Não vou definir, ok? Mesmo vc me testando. E eu já te disse ''não suporto bem pessoas mais egocêntricas que eu.'' (Colar nossa conversa aqui seria um caos incompreensível e vc.. me mataria?). Não suporto te ver jogando contra mim tudo que joguei em ti. Te chamei qts vezes de covarde? Qts vezes te joguei contra a parede pra te ver gritando? Qts vezes te soquei esperando atitudes e não passividade? Agora vc me bate, forte. Ta se vingando, eu sei. Fui pretenciosa, achando que eu TINHA que tirar o melhor e o pior de vc, talvez. E eu to sentindo as consequências, e só dps de três anos de amizade, vc quis mostrar pra mim que podia. Conseguiu, pode se achar por isso (eu sei q sua humildade nao permite). FODA-SE, de novo eu digo. ME DEIXA DORMIR MAIS UM POUCO. Mas continue ME BATENDO. Eu não posso me acomodar muito, é perigoso. Eu não quero me acomodar. Minhas idéias e ideais ainda tão aqui, ok? Eu garanto. Acontece que eles só estão cansados de falar falar falar e... ninguém escutar. Tenho medo de parecer algo, mas não ser este algo. De sentir vergonha do que me tornei, de não ter feito nada por ninguém, pro mundo podre e cruel, mas que ainda é o meu mundo. Tenho medo de toda hora me sentir só, pq não tem ninguém pra me aconchegar nos braços e dizer ''eu entendo oq és. e eu gosto disso''. Tenho medo de nao sentir e não ser sentida, de perder minhas ideologias... de ser só mais uma. Eu tenho medo de ficar tão perdida que nem um galho teria pra me segurar, nem que seja um pouquinho. Quero dividir isso aqui agora, dividir o caos, pq não? Somos contradições, somos egocêntricos e arrogantes, não é? Mas não me peça pra ser de uma forma que vc deseja no momento. Quer qual parte da sua amiga de volta? Cadê o espaço pras mudanças e pros altos e baixos, oras? Vc é um egoísta, como todo bom ser humano que se preze. Vc se importa com oq te motivou e vc gostou, e nao com oq me motiva agora. Mas eu to aq ainda Morn, sou eu. Talvez em ângulos diferentes... estranhos. Mas me abrace e diga ''vai passar, eu ainda me orgulho da alma que tens''. Eu sou uma cebola porra, cheia de cascas. Hoje tirei uma.. de novo (ou coloquei de volta). Não queira arrancar todas de uma vez agora, eu não preciso disso. Deixa eu sentir essas controvérsias tb, esse momento... q já foi seu. Podes mostrar agora que realmente se importa, que se preocupa, tirar o ''ranço do passado''. Que isso vai além de algum egoísmo. Não descarregue tanto, mesmo achando q eu entendo, mesmo achando que eu PRECISO disso. Talvez eu só precise de um abraço apertado.





Ps: Obrigada por bater forte, obrigada por se importar. Ainda sou eu, ainda é vc. Esquisitos. Mas chute ainda mais, pq eu não terei piedade de vc tb. Meu puto adorado.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

(In)Dosada.

Sinto-me uma cobra velha: "arranco minha pele e começo de novo". Até pode ser, mas ultimamente não seria mais propício "destilar o meu veneno"?. É, ele se apossou incrivelmente das minhas entranhas e já me sinto sufocada... basta uma mordida NHAC, que o veneno sai pelas beiradas? Acho que algumas dezenas.. centenas de vezes... sei lá, vai saber o que sussega a fome...

Enfim, semana podre, mês podre. Que outubro acabe logo, por favor! Ah tá... acabou e ninguém me avisou, obrigada. Já não mais aguento mesmo a chuva chata do final de semana, os tênis enxarcados que eu (ainda) tenho preguiça de limpar, a fome de cada hora que não me livro, o tiozinho da praça gritando "CD DVD, CD DVD". Não aguento mais meu humor negro e egoísta, a falta de discernimento, de arrumar qualquer motivo idiota pra nao abrir os livros (mesmo que ver lavanderia MTV) ou olhar pra dispensa e achar só miojos.
To confusa, conturbada. Eu grito então, idiota "cadê as palavras?".

Acho que preciso de uma dose. Aliás, ultimamente tem me aparecido muitas delas... dose disso, dose daquilo... "mais uma dose sem originalidade. quem tá afim?" É mais um idiota bebendo do seu copo de requeijão, injetando aquela droga imunda e se achando íncrivel por isso. Que nojo... que nojo da cegueira da mediocridade que respinga da sua própria veia em mim. Em mim e em vc, não se esqueça.
To cansada. Pareço o pior de mim hoje, ontem, amanhã. O pior de mim até aqui... nessas incoerentes palavras... Pois eu senti o gosto da frustração, do arrependimento.. e dps? O desejo de vingança. Dessa vez num prato quente para a língua queimar lentamente. Do lado o prato frio da ignorância, dos erros e das perdas. Da minha covardia sem retundância. Como eu queria voltar, oh sim, voltar pra LÁ. Deixa o prato quebrar e depois cair. Mas os caquinhos são duros e afiados demais, não consigo segurar, entenda. Bem que eu podia refazê-los então? Só se for um novo prato, pois esse já não suporta o peso da minha descrença... em ti, em mim, em nós. Na pobre fé que de culpa não tem nada.

Argh, que novembro acabe logo... já to cansada. Vou voltar a dormir.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"E na volta do motel ela pergunta a ele:
- Por que não podemos viajar no próximo final de semana, amor?
- Vou estar muito ocupado, meu bem.
- Por que? Reunião no trabalho?
- Não... é q no domingo eu vou me casar..."



E quem está livre do lixo escrotal? Mostre-me um só ser e eu lhe atirarei rosas...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Uma dose? Infinitas doses...

"Pelas suas entrelinhas sinto-me voando como as andorinhas... nas canções inatingiveis, na imperfeição da minha vida... no orvalho da rosa, quem me dera. Bem-vindos à primavera."


Não diria que dois meses pareçam fazer muita diferença. Não comparados a uma vida inteira pelo menos.
A minha falta aqui me fez falta. E no meu caso, esses "dois meses" tiveram marcas siginifcativas na minha vida, acho. O que eu poderia beber? Os sabores sentidos foram intensos... mas eu diria que os amargos sobressaltaram mais. Bleh. Talvez porque eu tenho uma necessitade intrínseca de sentí-los. E COMO senti. Dois meses podiam passar voando, sem nem reparar-se nas pequenas folhas que caem no nosso quintal. Dois meses podem extravazar sem direção, um grande amor... ou uma grande decepção. Dois meses, vidas abrem seus olhos pro mundo... e outras tantas se fecham num segundo.
Bom, os meus dois (eu diria quatro na verdade) foram inrustídos de caos, mesmo que eu tenha dado atenção especial para a cama. Mas os sonhos pularam dela... e angústias nasceram, dores sofreram (ou foram sofrídas, se preferir), amores se foram, lembranças marcaram, muros se criaram, corpos se descobríram, experiencias nunca sentidas surgiram, horizontes únicos se abriram. E minha alma? Mais dúbia e cheia de vazios perdura.

Enfim, essa "retomada" no blog (pode-se fazer um drama básico não?) não poderia simplesmente não chegar tão melancólica (sem nem ao menos relatar os porquês) e subjetiva? hahaha Não pode não! E contentem-se com ela como ela gosta, oras.
Mas não esqueçam agora. Com ela vem de acompanhamento um sorriso. Oh! meio tímido, confesso. Mas contente por sentir-se livre, e desajeitadamente sincero.


(Realmente evito postar qualquer outro texto aqui que nao seja escrito por mim. Aliás, nem lembro de ter feito isso. Mas esse poema do fodão Fernando Pessoa cai como uma luva... Um dos meus prediletos, pois é.)


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

domingo, 27 de julho de 2008

O doce e o amargo.
O vinho e a água.
Meu silêncio e as palavras.

O medo e a razão.
O vento e a montanha.
Meus pés... sem chão.

A fome e a sede.
A ânsia do desejo
Minhas lágrimas... o azedo.

O delírio da febre
A morfina e a cicuta.
Minha vida... a sua.

O amor e o ódio.
O ódio e o amor.
Deixo-te o amor, fico com o ódio.
Fico só.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uma dose de Ópio

“Saltei num instante para cima do armário que pesava sobre o meu corpo imóvel e frágil; de início sentia dor, o olhar profundo e saltado como quem dissesse ‘vou fugir agora’; minhas mãos socavam o chão até a pele não mais sentir a fúria dele e nem os calos latejantes; e minha boca a voz do silêncio, ecoando absurdamente sem espaço no quarto; meus pensamentos primordiais de agonia e desespero foram sufocados pelo prazer da dor que consumiu todo tempo/espaço existente ou ‘inexistente’ em minha mente; a saliva gotejava pelo canto da boca com mais saciedade que nunca e as lágrimas revestidas em suor circulavam minha face branca e pálida, anestesiando cada centímetro da minha nuca; o cabelo comprido, liso, se confundia entre as costas molhadas, lembrando leves traçados num quadro vazio, pingos escuros de chuva lambuzavam o tracejo; eram minhas pintas, sim, as pintas, minhas marquinhas únicas de sabor chocolate derretido. Passei a crer na inexistência daquele momento, precisaria fecundá-lo, mas não o queria; queria sim permanecer imóvel, só e intocada, como a mata virgem de nuvens brancas no céu; um mar de algodão-doce, eu supunha; ‘ai q vontade de comê-las!’. Dei por mim que a febre fazia-se presente; espiava a porta trancada do armário, sem conseguir me aproximar; era distante, não, não; eu não podia entrar. O fluxo da vida corria ali dentro e eu o temia. Sentia-me num vôo tímido de filhote pousando no algodão-doce, o mesmo que despertara meu desejo mais primário; a gula. Seu cheiro ecoava folha seca, inalava juventude e corrompia o medo; eu disse pra ele ‘tenho dezessete anos e sobre ti quero repousar até os dezoito. Ainda não sei nada aqui de fora, mas quero fundar minha escada de madeira dentro de ti, escada exclusiva para o meu uso, subirei de pés descalços, moribunda, com uma saúde até meio debilitada; escada essa de madeira, pra caso desgostar dos degraus, poder trucidá-los e um novo devorar. Subirei desnuda, fedida, sem cheiro de morte, como sai do ventre de outra mulher e vim ao mundo, forçando suas pernas, para olhar para aquele pedaço de terra, chorar..e não ser ouvida. Senti-me um profeta diante da fechadura. Não aquele que olha pro sol e não se cega com seus raios, mas o que tem medo deles e cega-se de luz! Olha pro fruto que come e tenta achar o sabor amargo que não conseguia mais degustar; Eu posso! Eu entro! Desci cuidadosamente do armário e me pus a sentir a brisa que saia pelos furinhos da porta; o zumbido do meu ninho, do meu cata-vento; eu seria o profeta de minha própria história, divagando entre as paredes escuras e construiria a minha escada; a minha escada; a minha. Olhei então para os meus olhos esvaecidos e fiquei confusa; onde estaria a chave? Aquela que abriria a porta pra minha saudade, pras pestes adormecidas, pro ácido verminoso do meu peito. Eu tinha simplesmente forjado a armadura, o livro, a insanidade, o punho dolorido, A escada; e gritei sem som algum: Aqui ninguém nunca entrará!”

domingo, 29 de junho de 2008

A rosa.

Entrou como quem não quisesse nada,
Chegou silente.
Com o olhar tímido para mim.
Sentou-se e ali ficou,
De cabeça baixa.
Os olhos q estavam cobertos pelos cabelos escuros e revoltos,
Agora lentamente se punham aos meus.
Então eu pude enxergar,
Por entre a caverna escura dos seus pensamentos
E ali, entre as rosas dançantes do seu jardim,
Eu docemente pude me despir."