segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Uma dose? Infinitas doses...

"Pelas suas entrelinhas sinto-me voando como as andorinhas... nas canções inatingiveis, na imperfeição da minha vida... no orvalho da rosa, quem me dera. Bem-vindos à primavera."


Não diria que dois meses pareçam fazer muita diferença. Não comparados a uma vida inteira pelo menos.
A minha falta aqui me fez falta. E no meu caso, esses "dois meses" tiveram marcas siginifcativas na minha vida, acho. O que eu poderia beber? Os sabores sentidos foram intensos... mas eu diria que os amargos sobressaltaram mais. Bleh. Talvez porque eu tenho uma necessitade intrínseca de sentí-los. E COMO senti. Dois meses podiam passar voando, sem nem reparar-se nas pequenas folhas que caem no nosso quintal. Dois meses podem extravazar sem direção, um grande amor... ou uma grande decepção. Dois meses, vidas abrem seus olhos pro mundo... e outras tantas se fecham num segundo.
Bom, os meus dois (eu diria quatro na verdade) foram inrustídos de caos, mesmo que eu tenha dado atenção especial para a cama. Mas os sonhos pularam dela... e angústias nasceram, dores sofreram (ou foram sofrídas, se preferir), amores se foram, lembranças marcaram, muros se criaram, corpos se descobríram, experiencias nunca sentidas surgiram, horizontes únicos se abriram. E minha alma? Mais dúbia e cheia de vazios perdura.

Enfim, essa "retomada" no blog (pode-se fazer um drama básico não?) não poderia simplesmente não chegar tão melancólica (sem nem ao menos relatar os porquês) e subjetiva? hahaha Não pode não! E contentem-se com ela como ela gosta, oras.
Mas não esqueçam agora. Com ela vem de acompanhamento um sorriso. Oh! meio tímido, confesso. Mas contente por sentir-se livre, e desajeitadamente sincero.


(Realmente evito postar qualquer outro texto aqui que nao seja escrito por mim. Aliás, nem lembro de ter feito isso. Mas esse poema do fodão Fernando Pessoa cai como uma luva... Um dos meus prediletos, pois é.)


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.